Os Ícones
A Palavra "ícone" vem do termo grego "eikon" que significa genericamente imagem. Todavia, a palavra ícone é, geralmente, reservada a uma pintura, normalmente portátil, de gênero sagrado, executada sobre madeira com uma técnica particular, e seguindo uma tradição transmitida pelos séculos.
Origem e Fundamento
O ícone nasce junto com a Encarnação do Verbo. O nascimento de Cristo torna possível a confecção dos ícones, pois a partir daí se desfaz a proibição do Antigo Testamento uma vez que Jesus Cristo não é apenas o Logos, do Pai, mas também a sua imagem (eikón). Por isso nos diz São Paulo: "Cristo é a imagem do Deus invisível" (Cl 1, 15).
Expressão do Espiritual
Nos ícones as técnicas artísticas são totalmente absorvidas pelo conteúdo. Deseja-se mostrar a obra de Deus na vida ou na cena
Técnicas e Pré-Requisitos para a Pintura
A forma de pintar os ícones tem o objetivo de revelar a transparência final e celestial da carne. Para isto, o artista, iconógrafo, deve conhecer profundamente da Sagrada Escritura, a vida da pessoa representada. Deve ter um procedimento irrepreensível. Todos aqueles que se dedicavam a esta arte eram grandes fiéis, grandes ascetas e grandes cristãos. E para pintar se dedicavam a oração e a jejuns.
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O ícone, enfim, não é um enfeite para os lugares de oração, mas um poderoso elemento de devoção que nos ajuda a viver a nossa vocação cristã.
Ícones
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I. O Ícone
I.1. Origem
No Antigo Testamento a reprodução da sua imagem, por causa disso, a Divindade do Senhor só era retratada através da arte decorativa, em especial, a uma forma geométrica. Com a encarnação do Filho de Deus, tornou-se possível retratar o Deus invisível, uma vez que Aquele é não apenas o Verbo, mas também a Sua imagem. Dessa forma, o ícone retrata não uma imagem inacessível à vista, mas uma pessoa real.
O fundamental e primeiro ícone é, portanto, a Face de Cristo que exprime, através da imagem o dogma do Concilio de Calcedônia: “O ícone não representa tão somente a natureza Divina, nem só a natureza humana de Cristo, mas representa a sua pessoa, a pessoa de Deus-Homem que reúne em si sem mistura nem divisão as duas naturezas.”
Uma vez retratado o Deus invisível, passou-se a retratar também a Mãe de Deus e os santos porque assumindo a natureza humana, o Filho de Deus renova no homem a imagem obscurecida
Uma tradição muito difundida atribui os primeiros ícones a São Lucas que, admitida a sua intimidade com a Mãe de Deus ainda viva, tendo levado a Ela para que a reconhecesse e desse poder para salvar a quem o venerasse.
I.2. Significado do termo
A palavra ícone deriva do termo grego “eikom” que significa “imagem”. Todavia na historia da arte e na linguagem comum a palavra ícone é reservada a uma pintura de gênero sagrado executada sobre madeira com uma técnica peculiar e segundo tradição transmitida pelos séculos tem forte caracter sobrenatural, sua pátria é o Oriente Bizantino.
Os ícones são chamados imagens do invisível pelo fato de retratarem a realidade espiritual. Representam Jesus Cristo, a sua Mãe de Deus, os anjos, os santos e os outros temas religiosos , o ícone não é o resultado de uma instrução ou da impressão do artista ele é fruto de uma tradição, uma obra profundamente meditada, não é um quadro, nele vem representado não aquilo que o pintor tem diante dos olhos, mas um protótipo a que ele deve ater-se. A veneração do ícone deriva da veneração do protótipo.
I.3. Significado Espiritual
Podemos dar ao ícone 4 “características” que a profundam e enriquecem o misticismo que o envolve. A primeira é o de que o ícone é canal de graça com virtude santificadora, uma vez que, depois de bento, torna-se um sacramental, sinal da graça eficaz por causa dos poderes e da oração da Igreja, é auxilio na vida espiritual; o ícone torna presente a pessoa que o representa, graças a semelhança com o seu protótipo (semelhança aprovada pela Igreja); o ícone é lugar de encontro, quanto mais o fiel olha os ícones, mais recorda daqueles que ali estão representados e se esforçam por imitá-los; por fim, temos a certeza de que o ícone é uma janela para a eternidade. Saindo do mundo sensorial, que se atém ao belo e as suas paixões, pode-se mergulhar no ícone aponto de não mais olhar, mas deixar-se ser olhado por ele, e dessa forma ser iluminado pela fé e conduzido ao mundo do Espirito.
II. Momentos Históricos
II.1. Guerra Iconoclasta
Os ícones, no mundo bizantino, conseguiram posição relevante na manifestação da fé, pessoal e coletiva. Essa expressão cultural, entretanto, teve de atravessar um período histórico por demais crítico, no qual se manifestou aquela que foi considerada a última das heresias: a crise iconoclasta, 727-843.
Infelizmente, muitos ícones antigos se perderam por obra dos iconoclastas- pessoas de outra fé que, por não concordarem com a veneração dos ícones e por isso os destruíam tanto quanto possível- porém, foi justamente nessa época que surgiu a sua importância. Através do sofrimento e do martírio daqueles que tudo faziam para defender as imagens sagradas, é que se desenvolveu a teologia necessária para melhor compreendê-los.
Sabe-se que já na época da heresia de Ário começa-se a colocar do lado das imagens de Cristo as letras alfa e ômega, em referencia ao texto de Ap. 2, 13, para melhor explicara divindade do Filho consubstancial ao Pai.
A Igreja do século VII se interessou pelo conteúdo da imagem apresentada aos fieis e teve a consciência de perceber neste a prefiguração do Antigo testamento a realidade do Novo. Ainda neste século uma decisão conciliar formula a ligação do ícone com o dogma da encarnação.
Momento muito marcante da historia dos ícones foi a conhecida guerra iconoclasta. Esta se deu no império bizantino durante os séculos VIII e IX e se desenvolveu sob a direção de príncipes e imperadores contra a Igreja e suas imagens, conforme já dito antes.
A guerra contra as imagens foi declarada em 725 pelo Imperador Leão III e repercutiu em grande parte do Oriente chegando apenas indiretamente no Ocidente, onde aportaram monges foragidos das perseguições trazendo consigo ícones salvos violência dos iconoclastas. O triunfo desta guerra foi bastante comemorada no seio da Igreja e ainda hoje é conhecido como Festa da Ortodoxia.
II.2. Defesa do ícone por parte da Igreja
Várias vezes a Igreja se posicionou a favor da veneração dos ícones e das imagens
III. O ícone na liturgia e na devoção
III.1. O lugar do ícone na liturgia e na devoção
Desde a mais remota antigüidade, a imagem acompanhou a vida litúrgica cristã. Para o ícone obedecesse uma norma quanto ao seu lugar: no fundo do presbitério, atras do altar, dominam os ícone de Jesus Cristo e da Mãe de Deus. Entrando
Os ícones são levados em procissão pelos sacerdotes ou pelas pessoas encarregadas, que geralmente os seguram com respeito pela moldura, a fim de evitar o contato direto das mãos. Abençoa-se com o ícone.
III.2. O ícone e os fiéis
Dependendo do país e da cultura deste, os ícones recebem um “papel” diferente, mais sempre tendo preservado o respeito e a veneração que lhes são devidos. Antes da cerimonia de casamento, por exemplo, os pais abençoam os filhos com o ícone, em geral da virgem Maria; um filho que parta para o serviço militar também é abençoado com este; o casal antes do ato conjugal consagram-se diante deste; diante do ícone que a família adota para si, são colocados os desejos existentes no coração de seus membros, geralmente através de bordados na estola- um casal que deseja Ter um filho, pode bordar na estola decorativa uma criança, a fim de que tão anseio esteja sempre aos olhos Daquele que é representado pelo ícone.
Como preparação para a eterna liturgia celeste, nas igrejas e nas casas, o ícone tem um papel de ajudar os fiéis na penetração da Revelação, guiando-os e santificando-os.
III.3. Iconostase
Nas Igrejas Bizantinas nota-se uma divisão entre a parte destinada ao Clero, o Santuário ou “Santos dos Santos” e a nave dos fieis. Essa separação que é uma parede divisória é revestida de ícones é chamado de Íconostase. Ela deseja colocar aos olhos dos fieis o plano da salvação e sua progressiva realização. Os temas dos ícones variam nas diversas igrejas. Sem a íconsotase, os ritos liturgicos bizantinos não são celebrados adequadamente, uma vez que, durante estes, o Sacerdote pode passar por suas portas nos momentos fixados pelo rito.
A íconostase embora seja uma parede divisória, não é um muro de separação, uma separação para esconder o altar. Ela tem o desejo e objetivo de ajudar os fieis a entrar em comunhão com a Igreja do céu, a participar da história da salvação e exaltar os santos mistérios renovados sobre o altar com todos os que nos aguardam nos tabernáculos celestes.
III.4. Iconografia
É uma arte teológica que consiste na visão e no conhecimento de Deus. Separadamente nem a arte nem a teologia poderiam criar um ícone, pois o ícone tem dupla responsabilidade, deve ser fiel ao mundo visível e também a Deus.
O ícone é o resultado de uma longa tradição de meditação elaboração de aperfeiçoamento de técnicas de pintura e possui rica teologia de formas e cores estreitamente relacionadas com está. Os temas dos ícones são determinados por regras estabelecidas pela Igreja Ortodoxa; não estão, portanto, sujeitos à especulação intelectual. O ícone revela a realidade espiritual que está além de toda expressão verbal.
As técnicas envolvidas no emprego da luz e da cor criam a sensação de estarmos olhando para um mundo iluminado, não por uma luz externa que lança sobras, mas pela luz da graça divina que transforma edificações e paisagens e se manifesta principalmente na iluminação interior dos santos. As edificações mostram que determinados acontecimentos ao seu alcance não estão confinados a um momento histórico preciso, mas pertencem ao mundo do Espírito. O sentido mais amplo tem de ser encontrado na alma do espectador.
Gaetano Passarelli diz que “o ícone tornou-se e símbolo das Igrejas de tradição bizantina. Na realidade, é a expressão e o patrimônio da Igreja indivisa, isto é, de todos os povos cristãos que professam a mesma fé no único Santo”.
Os ícones são, assim, um meio de entrar na quietude do coração onde Deus pode ser conhecido e amado. http://www.comunidadeshalom.org.br/formacao/liturgia/icones.html

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